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O AVARENTO (L'AVARE)


O Avarento (1688) é uma peça do mestre da comédia satírica Molière que conta a história de um homem terrivelmente avarento, Harpagon – que possui uma fortuna escondida em uma arca de ouro enterrada no jardim –, e sua relação danificada com seus filhos por causa de sua mesquinhez. Entre encontros e desencontros amorosos, a peça enfoca temas como lealdade, honestidade, solidão, avareza e manipulação humana.
A peça é uma obra tragicômica, que com muito humor trás uma forte crítica a sociedade. Mesmo os expectadores mais difíceis de impressionar e a facção de não amantes de Molière vão achar algo para ser apreciado nessa montagem de “O avarento”. A peça foi encenada em 2006 com Paulo Autran no papel de Harpagon, na brilhante e última atuação do maior ator brasileiro de todos os tempos. O trecho abaixo diz mais que quaisquer palavras.

O AVARENTO
HARPAGON, ÈLISA E VALÈRE

O MAPA
por Mario Quintana


Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...

(É nem que fosse o meu corpo!)

Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...

Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso...


***

“Olho o mapa da cidade”, assim inicia o poema “O mapa” de Mario Quintana, fazendo menção ao ambiente urbano que o autor irá percorrer. Mais adiante, a revelação: “Sinto uma dor infinita/das ruas de Porto Alegre/ onde jamais passarei...” Eis o espaço representado: Porto Alegre, cidade na qual o poeta alegretense vivera quase toda a sua vida.

Mario Quintana não nomeie locais específicos de Porto Alegre, mas proporciona a visão de uma cidade que está em meio a um processo de transformação. Vale lembrar que Mario Quintana vivenciou de perto o crescimento de Porto Alegre, sua expansão demográfica, arquitetônica, etc., como ele mesmo diagnostica em uma de suas frases célebres: “Antes Porto Alegre era uma grande cidade pequena; agora, é uma pequena cidade grande”.

Percebemos essa cidade grande nos versos “Há tanta esquina esquisita/ tanta nuança nas paredes/ há tanta moça bonita”, e esse espaço urbano tão abundante de coisas faz com que o poeta lamente a dor de não poder passar pelas muitas ruas da cidade, pois, diante de seu mapa, constata o tamanho de seu crescimento.

A relação entre eu-lírico e espaço é de uma identificação afetiva, particular, atraente: “suave mistério amoroso”. O eu-lírico do poema observa a cidade que, ao crescer, torna-se um espaço que ele não pode/consegue abranger em sua totalidade. Mas ele o examina como “a anatomia de um corpo...”, mas que corpo seria esse? Um corpo que, quiçá, o seduz diante de seus suaves mistérios? Mario Quintana, propositadamente, deixa no ar seus predicados através do uso das reticências. E, assim, o poeta até se (nos) permite fantasiar alguma rua “encantada”, tão bela “que nem em sonhos” foi capaz de sonhá-la.

Don Quixote and the windmills
by Windmill Theatre Company

A special thanks to Daniela (Don Quixote),
Tanane (Sancho Pança) and Gladimir (the narrator)

CHAPTER VIII

"Of the good fortune which the valiant Don Quixote had in the terrible and undreamt-of adventure of the windmills, with other occurrences worthy to be fitly recorded."


“What giants?” said Sancho Panza.“Those thou seest there,” answered his master, “with the longarms, and some have them nearly two leagues long.”“Look, your worship,” said Sancho; “what we see there are notgiants but windmills, and what seem to be their arms are the sailsthat turned by the wind make the millstone go.”

A LITERATURA KAFKIANA NO TEATRO


Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranqüilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Estava deitado sobre suas costas duras como couraça e, ao levantar um pouco a cabeça, viu seu ventre abaulado, marrom, dividido por nervuras arqueadas, no topo do qual a coberta, prestes a deslizar de vez, ainda mal se sustinha. Suas numerosas pernas, lastimavelmente finas em comparação com o volume do resto do corpo, tremulavam desamparadas diante de seus olhos” (KAFKA, [trad.] CARONE, 2007, p.07)

A Metamorfose (Die Verwandlung) é a mais célebre obra de Franz Kafka e uma das mais notórias de toda a história da literatura universal. Tendo sido escrita no espaço de 20 vinte dias, entre 17 de novembro a 07 de dezembro de 1912, o texto apresenta a figura de um caixeiro-viajante, Gregor Samsa, transformado em um inseto monstruoso.

A partir deste acontecimento, “a história é narrada com um realismo inesperado que associa o inverossímil e o senso de humor ao que é trágico, grotesco e cruel na condição humana – tudo no estilo transparente e perfeito desse mestre inconfundível da ficção universal” (Contracapa da edição da Companhia das Letras, 2007, tradução de Modesto Carone).

Trata-se de mais uma das obras de ficção universais que tendem a influenciar não só escritores, mas artistas de vários outros segmentos, como teatro, música, pintura, cinema, enfim. Abaixo, segue a apresentação/adaptação da obra de Franz Kafka para o teatro, intitulada Kafka’s metamorphosis, encenada pela Black Moon Theatre Company (http://www.blackmoontheatrecompany.org/).

O HOMEM DE LA MANCHA [1977]

O Homem de La Mancha é um musical de 1977, estrelado por Paulo Autran, baseado no livro O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes y Saavedra. Em maio de 2002, uma impressionante comissão de críticos literários de várias lugares do mundo escolheu o livro Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes y Saavedra (1547-1616), como a melhor obra de ficção de todos os tempos.
Segundo Voltaire Schilling, ao tempo em que narrava as aventuras do Cavaleiro da Triste Figura em ritmo dos romances da cavalaria, Miguel de Cervantes desgostoso com o sucesso daquele tipo de gênero literário junto ao grande público, realizou uma das maiores sátiras aos preceitos que regiam as histórias fantasiosas daqueles heróis de fancaria.

DANTE, DORÉ E MOZART N'A DIVINA COMÉDIA

A Divina Comédia (Divina Commedia), originalmente intitulada apenas de Comédia, posteriormente batizada de Divina por Giovanni Boccaccio, é um poema de viés épico e teológico, escrita por Dante Alighieri, il sommo poeta, que se divide em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso. Abaixo, o video apresenta as ilustrações feitas pelo francês Gustavo Doré para a obra, acompanhadas do réquiem Lacrimosa, de Mozart:

"Lacrimosa dies illa,/ Qua resurget ex favilla./ Judicandus homo reus:/ Huic ergo parce, Deus.Pie Jesu Domine,/Dona eis requiem. Amen."

"Lacrimosa dia de lágrimas, aquele em que o homem pecador renasce de sua cinza para ser julgado. Tende, pois, piedade dele, Deus. Ó piíssimo Jesus, ó Senhor, concedei-lhe o repouso eterno. Amém."